Frente fria amplia variabilidade nas lavouras
Agrolink
– Seane Lennon

Foto: Divulgação
A cultura da soja no Rio Grande do Sul encontra-se majoritariamente em fases reprodutivas, com 42% das lavouras em florescimento e 39% em enchimento de grãos. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (12) pela Emater/RS-Ascar.
Segundo o levantamento, ao longo da maior parte do período as condições climáticas foram desfavoráveis, com déficit hídrico, temperaturas elevadas — que atingiram 40 °C na Região das Missões —, alta demanda evaporativa da atmosfera e baixa umidade relativa do ar. Esse cenário provocou estresse hídrico em parte das áreas, com registro de murchamento, senescência foliar precoce, abortamento de flores e vagens, além de redução e queda da área foliar, comprometendo o potencial produtivo em diversas regiões.
A Emater/RS-Ascar informa que a heterogeneidade das precipitações após a entrada de frente fria em 7 de fevereiro ampliou a variabilidade entre as lavouras. Já há perdas consolidadas em áreas que enfrentaram restrição hídrica durante o período crítico de definição de rendimento. Onde houve precipitações ou em áreas com maior capacidade de retenção de água, como várzeas e locais com boa cobertura de palhada, o desempenho foi menos afetado, em razão Rda mitigação dos efeitos da estiagem.
Ainda conforme o informativo, a semeadura tardia e a implantação de soja em sucessão ao milho ocorreram de forma irregular, dificultando a emergência e o estabelecimento das plantas em áreas sem irrigação. O cenário agravou a desuniformidade de estandes e elevou o risco de replantio e de perdas adicionais, com parte das áreas inicialmente projetadas podendo não ser implantada.
O manejo fitossanitário também foi impactado pelas condições climáticas. Houve redução de doenças fúngicas em função do tempo seco, mas aumentou a incidência de pragas associadas à estiagem, como ácaros e tripes, exigindo monitoramento e controles pontuais.
Para a safra 2025/2026 no Estado, a Emater/RS-Ascar projeta área cultivada de 6.742.236 hectares. A instituição ressalta que a produtividade estimada antes do plantio deverá ser impactada negativamente pelas condições climáticas. Um novo levantamento de campo será realizado na segunda quinzena de fevereiro para atualização das estimativas de produtividade e produção.


