18 fevereiro, 2026
spot_img
InícioeconomiaDólar e Bolsa oscilam com liquidação do Pleno, Fed e Lula na...

Dólar e Bolsa oscilam com liquidação do Pleno, Fed e Lula na Índia

O dólar operava sob forte volatilidade, na tarde desta quarta-feira (18/2), em um dia de liquidez reduzida no mercado, por causa do funcionamento apenas parcial da Bolsa de Valores (B3) na Quarta-Feira de Cinzas, após o feriado de Carnaval. Excepcionalmente, o mercado brasileiro abriu apenas no início da tarde, a partir das 13 horas.

Entre os principais destaques do dia, está a liquidação extrajudicial de mais uma instituição financeira ligada ao caso envolvendo o Banco Master. Desta vez, o Banco Central (BC) determinou a liquidação do Banco Pleno, em medida que alcança a Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A. As instituições integram o conglomerado prudencial Pleno.

O Pleno (ex-Voiter) e a Pleno DTVM já integraram o conglomerado do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras. O Banco Pleno era do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

No front externo, os investidores voltam suas atenções para a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), realizada no fim de janeiro. O documento pode dar “pistas” ao mercado sobre a trajetória da taxa básica de juros da economia norte-americana.

Por fim, o mercado também repercute a viagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Índia, acompanhado por vários ministros, entre os quais Fernando Haddad (Fazenda).


Dólar

  • Às 14h43, o dólar subia 0,11%, a R$ 5,235, perto da estabilidade.
  • Mais cedo, às 14h05, a moeda norte-americana recuava 0,24% e era negociada a R$ 5,218.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,235. A mínima é de R$ 5,194.
  • Na sessão da última sexta-feira (13/2), antes da pausa para o Carnaval, o dólar fechou em alta de 0,57%, cotado a R$ 5,229.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,35% no mês e de 4,73% frente ao real no ano.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), também operava praticamente estável no pregão.
  • Às 14h47, o indicador avançava 0,03%, aos 186,5 mil pontos.
  • No último pregão da semana passada, o Ibovespa fechou em queda de 0,69%, aos 186,4 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,81% em fevereiro e de 15,73% em 2025.

Liquidação do Banco Pleno

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo BC, era o desfecho já esperado de uma novela que se arrastava havia alguns meses e se agravou a partir do escândalo envolvendo o Banco Master, também liquidado pela autoridade monetária, em novembro do ano passado.

A análise é de economistas e agentes do mercado consultados pela reportagem do Metrópoles, nesta quinta, pouco depois do anúncio da liquidação do Pleno. Ainda segundo esses especialistas, não restavam muitas alternativas ao BC, até para minimizar os riscos de eventual contágio financeiro.

“O Banco Pleno apresentava comprometimento grave da sua situação econômico-financeira e descumpriu normas que regem o setor bancário, ignorando determinações da autoridade”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. “Neste sentido, entendendo que não havia caminho seguro para recuperação da instituição e buscando evitar quaisquer tipos de contágio, o BC optou pela liquidação. Era questão de tempo até a liquidação ocorrer.”

Para Perri, “o banco era um ‘morto-vivo’ desde novembro e já não tinha mais condições de captar dinheiro no mercado para financiar suas operações ou honrar vencimentos”.

O Pleno (ex-Voiter) e a Pleno DTVM já integraram o conglomerado do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras. O Banco Pleno era do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Segundo o BC, o Pleno é um conglomerado de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, e que tem como instituição líder o Banco Pleno. O conglomerado detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

De acordo com o BC, a liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira do Pleno, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do BC. Com a liquidação, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores do Pleno e da Pleno DTVM.

“Mesmo juridicamente fora do conglomerado Master, o Pleno sofreu contágio e crise de reputação. Sem dúvida, a liquidação do Master impactou no Pleno, que já vinha enfrentando problemas próprios”, explica Perri.

“Com a liquidação do Master e a prisão de Augusto Lima na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, ficou claro que a instituição entrou em um ponto sem retorno, no qual não seria capaz de achar compradores devido ao risco reputacional”, completa o economista.

Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, apesar do susto e da preocupação com a liquidação do Banco Pleno, os clientes e investidores da instituição financeira devem ter calma e cautela neste primeiro momento.

“O momento exige serenidade. Liquidações fazem parte do sistema financeiro e, historicamente, o arcabouço regulatório brasileiro é robusto. O principal aprendizado é a importância da diversificação institucional e da análise de risco da contraparte, e não apenas do produto”, afirma.

Para Trevisan, “o investidor não deve tomar decisões precipitadas”. “O correto é buscar informação oficial, confirmar o enquadramento do seu investimento e, se necessário, contar com orientação profissional para atravessar o processo com segurança”, avalia.

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno deve elevar a conta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em quase R$ 5 bilhões, segundo informações do próprio órgão. De acordo com nota divulgada pelo FGC, o Banco Pleno tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões.

Lula e Haddad na Índia

O presidente Lula pousou nesta quarta-feira, por volta das 6h (pelo horário de Brasília), em Nova Délhi (Índia), onde será recebido pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Nessa passagem pelo país asiático, o chefe do Palácio do Planalto participará, na quinta-feira (19/2), da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial.

No mesmo dia, após a reunião de cúpula, o presidente tem a previsão de três reuniões bilaterais. Lula recebeu pedidos de reuniões com o presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić; o presidente da França, Emmanuel Macron; e o presidente da Eslováquia, Peter Pellegrini. Os encontros ainda devem ser confirmados.

Lula foi acompanhado por uma comitiva de auxiliares na segunda viagem internacional deste ano. Na missão para a Ásia, o presidente conta com a presença de 12 ministros, como Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente).

Além dos ministros, embarcaram no mesmo voo Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF), a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e os deputados federais Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), Jorge Solla (PT-BA) e Zé Neto (PT-BA).

Ata de reunião do Fed nos EUA

No cenário internacional, o grande destaque desta quarta-feira é a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), realizada no fim de janeiro. O documento pode dar “pistas” ao mercado sobre a trajetória da taxa básica de juros da economia norte-americana.

Ao fim da primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed em 2026, em 28 de janeiro, o BC dos EUA anunciou a manutenção dos juros no atual patamar, de 3,5% a 3,75% ao ano. Assim, o Fed interrompeu uma sequência de três cortes consecutivos.

A próxima reunião do Fomc está marcada para os dias 17 e 18 de março. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros no patamar atual é de 94,1%. Apenas 5,9% dos investidores apostam em uma redução de 0,25 ponto percentual.

No fim de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o nome do ex-diretor do Fed Kevin Warsh para a presidência do BC norte-americano. Ele ainda precisa ser aprovado pelo Senado. Se isso ocorrer, vai suceder o atual chefe do Fed, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.

Veja matéria completa aqui!

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Most Popular

Recent Comments