O Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (12) pela Emater/RS-Ascar aponta que, em diversas regiões do Rio Grande do Sul, os sintomas de déficit hídrico são visíveis nas pastagens, com redução do crescimento e perda de vigor das forrageiras. Segundo o boletim, o capim-annoni tem se destacado em relação às espécies nativas, mantendo maior oferta de biomassa e coloração verde, além de apresentar produção de sementes, o que pode ampliar a infestação da espécie invasora. O relatório informa que “a irregularidade das precipitações, associada às temperaturas elevadas, reduziu os níveis de umidade no solo e limitou o desenvolvimento das forrageiras, especialmente das espécies anuais”. Mesmo com irrigação em algumas áreas, os baixos níveis dos reservatórios restringiram a eficiência da prática.
Na regional de Bagé, nas áreas de várzea, o crescimento dos campos nativos é considerado satisfatório em razão do maior acúmulo de água no solo. Em localidades com solos arenosos ou rasos e vários dias sem chuva, há redução no crescimento da vegetação. As pastagens cultivadas de braquiária, Panicum, capim-elefante, Tifton, milheto e capim-sudão registraram diminuição na produção de massa verde, embora apresentem tolerância à restrição hídrica. Produtores iniciaram a busca por sementes de aveia e a aquisição de ureia para a semeadura das pastagens de inverno prevista para março. Na regional de Erechim, o desenvolvimento e o rendimento das pastagens são apontados como adequados na maioria das áreas, mas nas anuais de verão, como sorgo e milheto, houve alteração na coloração em função da deficiência de umidade no solo.
Na regional de Ijuí, as pastagens anuais e perenes de verão apresentam bom desenvolvimento nos municípios onde houve chuva em 7 de novembro, porém, de modo geral, a escassez hídrica e o calor intenso têm provocado baixo crescimento e reduzida rebrota. O boletim destaca que “apesar da oferta de forragem em parte das propriedades, o excesso de calor tem limitado o pastejo”, exigindo roçadas para ajuste do manejo. Em Passo Fundo, as pastagens cultivadas atingiram o potencial produtivo máximo, enquanto os campos nativos ofertaram forragem, mas estão no limite devido à restrição hídrica.
Na regional de Pelotas, em Santa Vitória do Palmar e Chuí, as precipitações limitadas restringem a oferta de alimento nos campos nativos e nas pastagens cultivadas. Em Pedras Altas, há boa oferta de forragem. Em Santa Rosa, as espécies nativas ficaram estagnadas, com taxa mínima de acúmulo de matéria seca, e as pastagens anuais de verão apresentaram produção abaixo do esperado. Áreas de aveia implantadas precocemente estão em fase de sementação, comprometendo o valor nutricional e reduzindo a disponibilidade de alimento aos rebanhos. Em Soledade, as chuvas de 7 de novembro impulsionaram a rebrota e possibilitaram pastejo.
Nas regionais de Porto Alegre, a reserva de umidade no solo e as temperaturas elevadas favoreceram o desenvolvimento das pastagens. Escritórios da Emater/RS-Ascar iniciaram a elaboração de projetos de crédito de custeio do Programa Sementes e Mudas Forrageiras, por meio do FEAPER, marcando o planejamento das pastagens de inverno. Em Santa Maria, a qualidade e a quantidade das pastagens variaram conforme a localidade, com redução na taxa de crescimento nas áreas com menos chuva. Em São Vicente do Sul, produtores realizaram roçadas para controle de alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) e há ocorrência de cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta), demandando controle químico.


