17 fevereiro, 2026
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Plantas e insetos mantêm diálogo químico


A polinização é um dos exemplos mais conhecidos desse diálogo


A polinização é um dos exemplos mais conhecidos desse diálogo
A polinização é um dos exemplos mais conhecidos desse diálogo – Foto: Pixabay

A interação entre plantas e insetos é resultado de um processo evolutivo antigo e complexo, marcado por cooperação, defesa e estratégias de sobrevivência. Muito antes da presença humana, esses organismos já mantinham um diálogo baseado principalmente em sinais químicos, fundamentais para a polinização, o equilíbrio dos ecossistemas e a manutenção da biodiversidade.

Segundo o membro do Conselho Científico Agro Sustentável, engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Soja, Décio Luiz Gazzoni, a convivência ao longo de centenas de milhões de anos não ocorre de forma passiva. Trata-se de um sistema sofisticado de comunicação, no qual as plantas produzem sinais específicos e os insetos interpretam esses estímulos, desencadeando comportamentos que podem favorecer tanto a reprodução vegetal quanto a alimentação.

A polinização é um dos exemplos mais conhecidos desse diálogo. As plantas desenvolveram cores, formatos, aromas e até estruturas invisíveis ao olho humano para atrair polinizadores. Entre esses recursos estão as guias de néctar, que funcionam como pistas de pouso e indicam onde estão o alimento e os órgãos reprodutivos da flor. Compostos voláteis orgânicos também são liberados no ambiente e transportados pelo vento, permitindo que insetos localizem flores a longas distâncias e favorecendo a polinização cruzada.

Quando atacadas por insetos herbívoros, as plantas ativam defesas complexas. Elas emitem substâncias voláteis que atraem predadores e parasitoides das pragas, contribuindo para o controle biológico. Em alguns casos, esses sinais ainda alertam plantas vizinhas, que passam a preparar seus próprios sistemas de defesa.

A evolução também favoreceu insetos capazes de interceptar ou imitar esses códigos químicos. Certas orquídeas reproduzem feromônios sexuais para atrair insetos e garantir a polinização. Para Gazzoni, compreender esse diálogo é essencial para a ciência e para a agricultura, razão pela qual a Embrapa Soja mantém um Laboratório de Ecologia Química dedicado ao tema.

 



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